Pessoas idosas conseguem reduzir de forma expressiva o consumo de alimentos ultraprocessados sem abrir mão de uma alimentação equilibrada e familiar. Essa mudança também melhora diversos indicadores importantes ligados à regulação do apetite e do metabolismo pelo organismo.
Essa é a principal conclusão de um novo estudo que meus colegas e eu publicamos na revista Clinical Nutrition.
Os alimentos ultraprocessados são produzidos com técnicas industriais e ingredientes que normalmente não fazem parte do preparo doméstico. Com frequência, incluem aditivos como emulsificantes, aromatizantes, corantes e conservantes.
Entre os exemplos mais comuns estão salgadinhos embalados, refeições prontas para consumo e alguns tipos de carnes processadas. Pesquisas têm associado dietas ricas em alimentos ultraprocessados a resultados piores para a saúde.
Estudo sobre alimentos ultraprocessados em pessoas idosas
Nossa equipe recrutou para o estudo americanos com 65 anos ou mais, muitos deles com sobrepeso ou fatores de risco metabólico, como resistência à insulina ou colesterol elevado.
Os participantes seguiram, por oito semanas cada, duas dietas com baixo teor de alimentos ultraprocessados. Uma delas incluía carne vermelha magra, especificamente carne suína; a outra era vegetariana e continha leite e ovos. Entre as duas etapas, eles voltaram à alimentação habitual por duas semanas.
Ao todo, 43 pessoas iniciaram a intervenção alimentar, e 36 concluíram o estudo completo.
Em ambas as dietas, os alimentos ultraprocessados representaram menos de 15% das calorias totais. Trata-se de uma queda importante em relação à dieta americana típica, na qual mais de 50% do total de calorias provêm de alimentos ultraprocessados.
As dietas foram elaboradas para serem viáveis no cotidiano. Os participantes não receberam orientação para restringir calorias, emagrecer ou alterar o nível de atividade física.
Nós preparamos, dividimos em porções e fornecemos todas as refeições e lanches do estudo. As duas dietas priorizavam ingredientes minimamente processados e estavam alinhadas às Diretrizes Alimentares para Americanos de 2020-2025, recomendações nutricionais do governo dos Estados Unidos para uma alimentação saudável. Além disso, ofereciam quantidades semelhantes de calorias e dos principais nutrientes.
As Diretrizes Alimentares para Americanos de 2025-2030, divulgadas em 7 de janeiro de 2026, recomendam explicitamente reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. As versões anteriores, porém, não abordavam especificamente o processamento dos alimentos.
O desenho deste estudo de alimentação controlada nos permitiu, pela primeira vez, avaliar os efeitos para a saúde da redução de alimentos ultraprocessados mantendo os níveis de nutrientes dentro das metas recomendadas.
Comparamos os resultados dos participantes durante sua alimentação habitual com as respostas obtidas nas duas dietas pobres em alimentos ultraprocessados.
Nos períodos em que consumiram menos alimentos ultraprocessados, os participantes ingeriram naturalmente menos calorias e perderam peso, inclusive gordura corporal total e abdominal.
Além do emagrecimento, houve melhorias relevantes na sensibilidade à insulina, perfis mais saudáveis de colesterol, menos sinais de inflamação e mudanças favoráveis em hormônios que ajudam a controlar o apetite e o metabolismo.
Esses benefícios foram semelhantes tanto na dieta com carne quanto na dieta vegetariana.
Por que a redução de alimentos ultraprocessados importa
Os alimentos ultraprocessados respondem por mais da metade das calorias ingeridas pela maioria dos adultos nos Estados Unidos. Embora sejam práticos e amplamente disponíveis, estudos que acompanham a alimentação das pessoas ao longo do tempo os associam cada vez mais à obesidade e a doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento, como diabetes tipo 2 e doença cardíaca.
Como as pessoas idosas representam uma parcela crescente da população mundial, estratégias que preservem a saúde metabólica podem favorecer um envelhecimento saudável.
Grande parte dos estudos anteriores de alimentação controlada que avaliaram os efeitos dos alimentos ultraprocessados na saúde não reproduziu a alimentação do mundo real, sobretudo entre americanos. Por exemplo, alguns compararam dietas compostas quase inteiramente por alimentos ultraprocessados com dietas que continham poucos ou nenhum desses produtos.
Nosso estudo buscou se aproximar mais da experiência cotidiana das pessoas, sem deixar de monitorar rigorosamente o que elas consumiam. É o primeiro a demonstrar que, para pessoas idosas, uma redução realista de alimentos ultraprocessados, fora do laboratório, traz benefícios mensuráveis à saúde que vão além da simples perda de peso.
Para pessoas idosas em particular, preservar a saúde metabólica contribui para manter a mobilidade, a independência e a qualidade de vida.
O que ainda não se sabe
Nosso estudo foi pequeno, o que reflete a complexidade de pesquisas nas quais os pesquisadores controlam rigorosamente a alimentação dos participantes. Ele não foi elaborado para determinar se as melhorias metabólicas observadas podem prevenir ou retardar, ao longo do tempo, doenças como diabetes ou enfermidades cardíacas. Serão necessários estudos maiores e mais longos para responder a essa questão.
Do ponto de vista prático, ainda não está claro se as pessoas conseguem diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados no dia a dia sem apoio estruturado, nem quais estratégias poderiam tornar isso mais fácil. Também não se sabe plenamente quais aspectos do processamento - como aditivos, emulsificantes ou extrusão - têm maior importância para a saúde.
Responder a essas perguntas poderá ajudar fabricantes a desenvolver alimentos mais saudáveis, mas ainda convenientes, e facilitar a escolha de opções alimentares mais saudáveis pelas pessoas.
Moul Dey, professora de Ciência da Nutrição, Universidade Estadual de Dakota do Sul
Este artigo foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.






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