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Como as cascas de laranja da Del Oro ajudaram na restauração ecológica na Costa Rica

Homem agachado observado pedaços de laranja no solo em área cercada por vegetação densa.
Neste artigo
  1. O acordo com a Del Oro que levou resíduos a um parque
  2. O que ocorreu na Área de Conservação Guanacaste após o despejo?
  3. Os dados coletados pela equipe da Universidade de Princeton
  4. Por que resíduos de fruta aceleram a regeneração da mata?
  5. Lições da Costa Rica para recuperar áreas degradadas

Em 1997, a produtora de suco Del Oro descarregou aproximadamente mil caminhões de cascas de laranja em um pasto degradado no noroeste da Costa Rica. Quando ecólogos retornaram ao terreno, dezesseis anos depois, encontraram vegetação fechada, solo fértil e uma biomassa muito maior que a da área vizinha. A experiência se tornou referência em restauração ecológica.

O acordo com a Del Oro que levou resíduos a um parque

A proposta nasceu com os ecólogos Daniel Janzen e Winnie Hallwachs, que atuavam na Área de Conservação Guanacaste. A Del Oro havia começado a produzir perto do limite norte da reserva e buscava uma destinação para o bagaço das frutas. Pelo acordo, a companhia doaria uma parte de suas terras cobertas por floresta e, em contrapartida, poderia depositar os resíduos gratuitamente em um trecho degradado do parque.

Aproximadamente 12 mil toneladas de cascas de laranja e polpa foram distribuídas pelo pasto esgotado, mas a experiência teve curta duração. A concorrente TicoFruit entrou com uma ação contra a Del Oro, sob a alegação de que ela contaminava um parque nacional. A Suprema Corte da Costa Rica determinou então a interrupção do projeto.

O que ocorreu na Área de Conservação Guanacaste após o despejo?

Reconhecida como patrimônio mundial da UNESCO desde 1999, a Área de Conservação Guanacaste abriga florestas secas, nebulosas e úmidas. O trecho que recebeu as laranjas permaneceu praticamente esquecido por mais de dez anos. Em 2013, Timothy Treuer, na época pós-graduando da Universidade de Princeton, foi até lá e quase não encontrou o lugar: trepadeiras escondiam a placa de identificação da área.

Os dados coletados pela equipe da Universidade de Princeton

Os pesquisadores confrontaram a área que recebeu os resíduos com um pasto próximo, onde eles nunca haviam sido depositados. A comparação avaliou biomassa, composição do solo, diversidade de árvores e cobertura do dossel. Entre os resultados que se destacaram estavam:

  • aumento de 176% na biomassa acima do solo no trecho coberto pelos resíduos;
  • solo com mais nutrientes que o da área não tratada;
  • presença de um número maior de espécies de árvores no mesmo espaço;
  • uma figueira cujo tronco era tão largo que três pessoas mal conseguiam abraçá-lo.

O estudo saiu em 2017 na revista Ecologia da Restauração, tendo Treuer e Jonathan Choi como autores principais. Uma reportagem da própria Universidade de Princeton sobre as cascas de laranja que revitalizaram a floresta descreve em detalhes os métodos empregados nas medições de campo.

Por que resíduos de fruta aceleram a regeneração da mata?

No pasto abandonado predominava um capim invasor que impedia as sementes nativas de germinar. A camada grossa de cascas abafou essas gramíneas e, durante a decomposição, devolveu matéria orgânica ao solo empobrecido. Com o terreno desobstruído e mais fértil, sementes transportadas por aves, morcegos e outros animais da floresta próxima puderam germinar e se desenvolver.

Lições da Costa Rica para recuperar áreas degradadas

Para Treuer, o episódio é um dos poucos exemplos de sequestro de carbono com custo negativo. A agroindústria costuma pagar para se desfazer do bagaço. Na Costa Rica, porém, o material serviu de adubo e contribuiu para capturar carbono sem despesas adicionais para o parque.

O passo seguinte para a ciência é experimentar a técnica em solos de outros tipos e com resíduos agrícolas diferentes, como cascas de café ou de banana. Somente medições de longo prazo poderão mostrar se o método produz resultados semelhantes em outros biomas tropicais e qual é sua contribuição efetiva para a biodiversidade e para o estoque de carbono das florestas.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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