Com 191 medalhas internacionais e o título de Melhor Produtor de Vinhos Tintos do Mundo na London Wine Competition, a Adega de Pegões atravessa o melhor ano de sua história. Jaime Quendera, enólogo da maior cooperativa vinícola de Portugal, conta a fórmula de um sucesso construído ao longo de quase sete décadas e reconhecido internacionalmente.
A trajetória começou em 1958, em terras doadas por José Rovisco Pais, onde nasceu a Cooperativa Agrícola de Pegões. Quase 70 anos depois, a Adega de Pegões reúne 1.117 hectares de vinhedos, que produzem uvas de excelência para todo o mundo, e lidera as vendas entre as cooperativas de vinhos portuguesas.
A identidade da casa se apoia em um terroir singular, conhecido como Plioceno de Pegões. Situada entre os estuários dos rios Tejo e Sado, a Serra da Arrábida e os Barros Alentejanos, a região combina solos arenosos com a brisa marítima do Atlântico. Essa união proporciona frescor e maturação ideal a castas emblemáticas, como Castelão, Touriga Nacional, Fernão Pires e Moscatel.
Um ano de recordes para a Adega de Pegões
O ano de 2026 ficará marcado na história da cooperativa. A Adega de Pegões alcançou a marca recorde de 191 medalhas internacionais: 15 de Grande Ouro, 109 de Ouro, 35 de Prata e 32 de Bronze, além de diversos troféus de prestígio. “Este é, indiscutivelmente, o nosso melhor ano de todos os tempos”, afirma Jaime Quendera, enólogo da Adega de Pegões.
O principal destaque veio de Londres. Na London Wine Competition, considerada uma das competições mais exigentes do mundo, a Adega de Pegões recebeu dois dos principais troféus de uma só vez: foi escolhida Melhor Produtor de Vinhos Tintos de 2026 no mundo e Melhor Produtor de Vinho de Portugal. Na Alemanha, o Berliner Wein Trophy a reconheceu como Melhor Cooperativa Portuguesa. Os vinhos de Pegões também alcançaram pontuações máximas nas Sélections Mondiales des Vins, no Canadá, e em grandes concursos da Europa Central e do Norte.
Medalhas em toda a linha de vinhos
Os prêmios abrangem toda a linha. Só em 2026, o Adega de Pegões Colheita Selecionada Branco conquistou oito medalhas de Ouro em concursos realizados na Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Bélgica e Itália. Já o Colheita Selecionada Tinto recebeu Ouro na França, na Itália e na Coreia do Sul, além da Grande Medalha de Ouro nas Sélections Mondiales des Vins 2025, no Canadá.
O Adega de Pegões Syrah Tinto ganhou Grande Ouro no CINVE 2026, na Espanha, e a Tambuladeira de Ouro no 7º Concurso de Vinhos Escanções de Portugal. O Sobreiro de Pegões Premium Tinto foi premiado com Ouro em Londres, Berlim e Bruxelas, enquanto o Moscatel de Setúbal também recebeu Ouro na London Wine Competition. A lista inclui ainda Arrábida Azul Reserva, Rovisco Pais Reserva, Alto Pina Reserva, Vinhas de Pegões Syrah e Encostas da Arrábida Reserva, todos vencedores de Ouro em 2026.
Em 2026, a Adega de Pegões conquistou 191 medalhas e foi escolhida Melhor Produtor de Vinhos Tintos do Mundo na London Wine Competition.
Mudanças nos mercados
As premiações acompanham a evolução comercial da cooperativa. Canadá, Europa Central e Europa do Norte continuam sendo seus maiores mercados de exportação. No Canadá, a guerra comercial com os Estados Unidos levou os consumidores a buscar mais vinhos europeus, beneficiando a cooperativa. Na direção oposta, o consumo no mercado asiático caiu. “A China compra hoje um terço do que comprava há cinco anos”, diz o enólogo. Mesmo assim, a Adega de Pegões segue firme e em crescimento, ao lado de grandes produtores mediterrâneos, como Espanha, Itália e França.
Na avaliação de Jaime Quendera, a tendência dos vinhos com menor teor alcoólico está perdendo força. Tanto em Portugal quanto no restante do mundo, os consumidores continuam procurando o tinto maduro, o branco maduro e o verde clássico. Produtos mais diferenciados ajudam a alcançar alguns novos consumidores, mas “o núcleo central do mercado continua sendo o vinho clássico de qualidade”.
Clima e terroir
As mudanças climáticas são outro assunto inevitável. “Quando comecei a fazer vinho, há mais de 32 anos, as colheitas eram feitas em setembro. Hoje, começam no início de agosto”, conta o enólogo. “Se as uvas estão maduras um mês antes, é porque o clima mudou.”
No sul, a colheita antecipada traz vantagens: permite escapar das chuvas de meados de setembro e colher uvas perfeitamente saudáveis e de alta qualidade. Soma-se a isso o terroir: o solo arenoso do Plioceno de Pegões é rico em água, e a brisa marítima refresca os vinhedos nos dias quentes. Segundo Jaime Quendera, o equilíbrio entre frescor e maturação é o que torna os vinhos de Pegões únicos e tão premiados.
A fórmula do sucesso
A receita para conservar a liderança é simples. “A melhor maneira de garantir o sucesso é tratar bem o consumidor. Quem gosta de vinho sabe reconhecer quando faz uma boa compra”, defende o enólogo. Embora tenha volume e dimensão de uma empresa de escala, a Adega de Pegões preserva o rigor artesanal e a tradição na elaboração de vinhos. A bebida mantém a essência de antigamente, enquanto a tecnologia e a escala permitem reduzir os custos de produção.
Isso possibilita oferecer no mercado vinhos de alto nível, premiados mundialmente, a preços justos. “É essa a razão de sermos a maior cooperativa de vinhos de Portugal e de continuarmos a crescer em todo o mundo”, destaca.
A estratégia se confirma a cada novo prêmio: produzir vinhos de perfil internacional, avaliados por júris de especialistas de todo o mundo, sem abrir mão de um preço acessível para quem os compra. Essa aposta coloca a cooperativa entre as grandes referências do vinho português.






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