Os comissários de bordo da American Airlines receberão até US$ 169 (R$ 851,76) adicionais por sequência de voos operados para o Aeroporto de Londres-Heathrow entre o fim de fevereiro e o fim de outubro de 2026. A compensação integra um acordo firmado pela companhia com o sindicato dos tripulantes, depois de meses de problemas no serviço de bordo causados por falhas no fornecimento de refeições no aeroporto londrino.
Problemas no abastecimento da American Airlines em Heathrow
A situação teve início em 28 de fevereiro, quando a American Airlines encerrou de forma inesperada seu contrato de longa data com a Dnata, empresa responsável por fornecer alimentos e bebidas aos voos da companhia em Heathrow.
A American não esclareceu publicamente as razões para o rompimento repentino nem por que tomou a decisão sem antes assegurar uma fornecedora substituta. Na ocasião, no entanto, relatos indicaram que a companhia estava preocupada com os padrões de segurança alimentar nas instalações da Dnata no aeroporto.
Uma fotografia que supostamente teria sido tirada a bordo de um voo que saiu de Heathrow pouco antes do fim do contrato mostrava o que parecia ser um roedor morto em uma cesta de pães da classe executiva, cercado por produtos de panificação. A autenticidade da imagem, porém, jamais foi confirmada.
Após encerrar o contrato, a American teve de buscar outra empresa para assumir o serviço. A troca não foi simples: nenhuma fornecedora em Heathrow tinha capacidade disponível para absorver imediatamente toda a operação da companhia.
A American opera até 19 voos diários entre Heathrow e nove cidades dos Estados Unidos, sendo responsável por quase um quarto dos assentos disponíveis nas rotas que ligam o aeroporto londrino ao mercado norte-americano.
Sem uma alternativa imediata, a companhia passou a carregar nos Estados Unidos refeições, bebidas e utensílios suficientes para os trajetos de ida e volta. Essa forma de abastecimento duplo permitiu manter o serviço sem depender integralmente de uma fornecedora em Londres.
A solução temporária, contudo, trouxe dificuldades aos tripulantes. As cozinhas de bordo das aeronaves comerciais são planejadas para os suprimentos de apenas um trecho, não para armazenar os itens de dois voos de longa distância. Durante parte desse período, os comissários também tiveram de retirar os resíduos.
Acordo de compensação para os comissários da American Airlines
Em abril, com a persistência dos problemas e uma melhora limitada nas condições de trabalho, a Associação de Comissários de Bordo Profissionais (APFA), sindicato que representa os comissários da American Airlines, apresentou à companhia uma notificação formal de disputa. A entidade pedia uma compensação adicional considerada significativa para os profissionais escalados nos voos para Heathrow.
Na época, o sindicato declarou que a situação ia além de um inconveniente operacional e envolvia questões contratuais e de qualidade de vida no trabalho. Segundo a APFA, os tripulantes vinham assumindo responsabilidades adicionais significativas durante os serviços.
As partes resolveram o impasse por meio de um acordo que estabelece três níveis de compensação, conforme as condições enfrentadas em cada período:
- De 28 de fevereiro a 29 de abril de 2026: US$ 169 (R$ 851,76) por sequência de voos para Heathrow. Nesse intervalo, os aviões eram abastecidos nos Estados Unidos para a ida e a volta, e os comissários também precisavam retirar os resíduos.
- De 30 de abril a 4 de setembro de 2026: US$ 84,50 (R$ 425,88) por sequência. O valor menor reflete a retomada parcial do serviço em Londres, com a British Airways cedendo parte da capacidade de sua fornecedora de refeições. As refeições principais passaram a ser carregadas em Heathrow, e a fornecedora voltou a retirar os resíduos.
- De 5 de setembro a 27 de outubro de 2026: US$ 42,25 (R$ 212,94) por sequência. Nesse período, coordenadores de abastecimento passaram a movimentar os carrinhos de serviço e a ajudar os tripulantes a encontrar os itens necessários para o voo de retorno.
Em comunicado aos associados, a APFA explicou que, antes de iniciar suas atividades regulares, os comissários frequentemente precisavam dedicar um tempo considerável à solução de problemas de abastecimento e à organização das cozinhas de bordo.
A entidade também informou que entrou em acordo com a administração da companhia para reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos profissionais, evitando um processo formal de disputa que poderia se prolongar.
Retomada do abastecimento dos voos em Heathrow
No início de outubro, após quase oito meses de transtornos, a American Airlines apresentou ainda um cronograma para normalizar o fornecimento de refeições nos voos de e para Heathrow.
Em maio, a companhia assinou um novo contrato com a Do&Co, fornecedora especializada em serviços de refeições de alto padrão. A mudança, entretanto, não permitiu a retomada imediata do abastecimento habitual em todos os voos, pois a empresa ainda não tinha caminhões suficientes para atender às aeronaves da American.
Embora pudesse assumir o fornecimento das refeições, a Do&Co precisava ampliar sua frota de veículos especializados para levar os alimentos e outros suprimentos até os aviões. A disponibilidade limitada desses equipamentos no mercado dificultou a transição.
De acordo com a American Airlines, a Do&Co terá 17 caminhões dedicados exclusivamente à operação da companhia até o fim de outubro. Assim, todos os voos de retorno que partem de Heathrow passarão a ser abastecidos localmente.
As bebidas alcoólicas continuarão sendo a exceção: elas seguirão carregadas nos Estados Unidos para os trechos de retorno. Essa prática não é incomum na operação internacional da American, que já abastece nos Estados Unidos todos os carrinhos de bebidas alcoólicas de sua rede internacional.






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