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Ácido ferúlico pode reduzir contrações intestinais, aponta estudo

Pesquisador analisa frasco com suplemento ao lado de intestino artificial e prato com grãos em laboratório.
Neste artigo
  1. Um composto comum em grãos integrais
  2. Ácido ferúlico reduziu as contrações intestinais
  3. Bloqueio dos sinais de cálcio no músculo liso
  4. Possíveis benefícios e riscos nos distúrbios intestinais
  5. Estudos em humanos ainda são necessários

Uma pesquisa recente da Universidade de Toho indica que um composto natural presente no farelo de arroz pode afetar a intensidade das contrações do intestino.

Conduzido pelos doutores Keisuke Obara e Kento Yoshioka e pelo professor Yoshio Tanaka, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, o estudo identificou que o ácido ferúlico (AF) pode diminuir as contrações da musculatura lisa intestinal por meio do bloqueio de canais de cálcio dependentes de voltagem. A descoberta poderá, no futuro, servir de base para novas abordagens alimentares voltadas a distúrbios da motilidade intestinal, como a síndrome do intestino irritável (SII) e a doença inflamatória intestinal (DII).

Um composto comum em grãos integrais

O ácido ferúlico é um polifenol presente em diversos alimentos vegetais, sobretudo nos grãos integrais e no farelo de arroz. Seus efeitos antioxidantes e neuroprotetores já são conhecidos, e estudos anteriores se concentraram principalmente em seus possíveis benefícios para o organismo de maneira geral.

Até então, porém, havia muito menos conhecimento sobre sua ação na motilidade gastrointestinal: a atividade muscular coordenada que transporta alimentos e resíduos pelo sistema digestivo.

Pessoas com SII ou DII podem ter movimentos intestinais anormais. Em alguns casos, ocorrem contrações excessivas; em outros, os movimentos diminuem. A equipe procurou determinar se o ácido fólico poderia modificar diretamente essas contrações.

Ácido ferúlico reduziu as contrações intestinais

Para testar o AF, os pesquisadores utilizaram músculo liso longitudinal do íleo de cobaias. O composto diminuiu significativamente as contrações provocadas por diferentes moléculas sinalizadoras, entre elas acetilcolina, histamina, prostaglandina F 2α e serotonina.

A inibição foi reversível: depois que o AF foi retirado, as contrações normais voltaram. O efeito também variou conforme a concentração, tornando-se mais intenso em doses mais altas.

A equipe verificou que o AF agia de maneira não competitiva. Isso sugere que sua ação não se restringia ao bloqueio dos receptores usados pelas moléculas sinalizadoras. Em vez disso, o composto parecia interferir em um mecanismo comum da contração muscular.

Bloqueio dos sinais de cálcio no músculo liso

Outros experimentos com modelos de células musculares lisas vasculares apresentaram uma possível explicação. O ácido fólico diminuiu o aumento do cálcio intracelular provocado pelo cloreto de potássio.

A entrada de cálcio nas células da musculatura lisa tem papel essencial no início da contração. Segundo os resultados, o ácido fólico suprime esse processo ao inibir os canais de cálcio dependentes de voltagem e, assim, reduzir os sinais de cálcio necessários para a contração muscular.

Possíveis benefícios e riscos nos distúrbios intestinais

Os achados indicam que o ácido fólico pode funcionar como regulador natural da motilidade intestinal. Ao reduzir a atividade excessiva da musculatura lisa, ele poderia ajudar pessoas com doença inflamatória intestinal (DII) com predominância de diarreia.

Esse mesmo efeito, contudo, pode não beneficiar todas as pessoas. Em quem tem SII com predominância de constipação, ou em indivíduos saudáveis, tornar os movimentos intestinais ainda mais lentos pode agravar a constipação ou os sintomas associados.

Estudos em humanos ainda são necessários

Os pesquisadores ressaltaram que as concentrações de AF capazes de produzir efeito em laboratório foram superiores aos níveis sanguíneos normalmente atingidos pela alimentação habitual.

Por outro lado, a concentração de AF no intestino pode ser maior depois do consumo de alimentos ou suplementos, já que o composto entra em contato direto com o trato digestivo. Serão necessárias mais pesquisas para verificar se os resultados obtidos em laboratório correspondem ao que acontece no corpo humano.

O estudo oferece uma base para investigar se o ácido ferúlico poderá ser usado futuramente em intervenções alimentares ou suplementos destinados a regular o trânsito intestinal. Ensaios clínicos serão necessários para confirmar seus efeitos em humanos, identificar os pacientes que podem se beneficiar e estabelecer níveis de ingestão seguros e eficazes.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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