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Estudo associa vitaminas A e C a sintomas de TDAH em crianças

Criança comendo frutas na cozinha enquanto um adulto prepara lanches saudáveis na mesa.
Neste artigo
  1. Os efeitos da nutrição no TDAH
  2. Como esses dados se aplicam à realidade
  3. O que é o TDAH?
  4. Alimentos que compõem uma dieta equilibrada

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que uma alimentação com poucas vitaminas A e C pode intensificar os sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças. Estima-se que 7% dos menores de idade em Portugal tenham essa condição.

Em comparação com crianças neurotípicas, cujo desenvolvimento neurológico segue o padrão considerado comum, os pacientes com TDAH apresentaram níveis menores de gorduras saudáveis e selênio no organismo, além de deficiência de vitaminas A e C. “Nutrientes como a vitamina A, a vitamina C e o selênio têm em comum propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias já conhecidas e conseguem promover a homeostase em relação ao estresse oxidativo no organismo”, explica ao JN a nutricionista pediátrica Sofia Pinto, primeira autora do estudo.

Essas propriedades são relevantes porque pesquisadores estudam a possibilidade de que uma neuroinflamação de baixo grau, também associada ao estresse oxidativo, esteja na base do transtorno. Dessa forma, o consumo reduzido de vitamina C pode levar ao aumento dos níveis de hiperatividade e impulsividade.

A deficiência de vitamina A também pode estar relacionada a esse aumento, além de se associar a níveis mais elevados de desatenção e a problemas sociais. Já níveis baixos de selênio podem estar ligados a dificuldades de socialização, comportamentos agressivos e até ao aumento de queixas somáticas, que são manifestações de questões mentais na forma de sintomas físicos.

Os efeitos da nutrição no TDAH

A deficiência nutricional não é a causa do TDAH, mas pode intensificar sintomas característicos do transtorno. “Este estudo, como a maior parte dos estudos existentes, não mostra causalidade; o que mostra é uma associação. Não podemos simplificar e dizer que agora as crianças têm TDAH porque se alimentam mal. Isso é simplificar demais um transtorno que é bastante complexo”, esclarece Joana Ferreira Gomes, coordenadora da pesquisa. Segundo ela, os dados coletados não são suficientes para determinar em que direção ocorre essa correlação.

Embora o TDAH tenha um componente genético bastante forte, ele não é suficiente para explicar vários casos e sintomas, o que levou à necessidade de investigar fatores ambientais. “A dieta é o que nos dá o substrato para o funcionamento do nosso organismo e, portanto, a ideia foi entender se havia alguma inadequação na alimentação que também pudesse contribuir para o agravamento de alguns sintomas”, explica Ferreira Gomes.

Formada por sete profissionais de áreas diferentes, a equipe da FMUP avaliou 76 crianças com idades entre seis e dez anos. Os pais preencheram um registro alimentar durante três dias e apresentaram fotografias. Depois, os pesquisadores analisaram detalhadamente os alimentos e examinaram todos os seus componentes nutricionais.

Como esses dados se aplicam à realidade

Os resultados podem ajudar no desenvolvimento de estratégias nutricionais direcionadas, integradas a uma abordagem multidisciplinar ampla do TDAH na infância. “Tentamos entender como podemos ajudar essas crianças e suas famílias”, conclui a coordenadora. Como o transtorno muda com o desenvolvimento do cérebro, as conclusões se aplicam à faixa etária estudada. Em setembro, a FMUP iniciará uma nova pesquisa voltada a adolescentes com TDAH.

A principal recomendação de Sofia Pinto é adotar uma alimentação equilibrada. “A absorção e a biodisponibilidade no corpo de suplementos vitamínicos nunca serão iguais às obtidas por meio dos alimentos”, alerta a nutricionista, ressaltando a diferença entre obter vitaminas e minerais pela alimentação e consumir suplementos. Ela também destaca a variedade de nutrientes benéficos, como as fibras, presentes nos alimentos que compõem uma dieta saudável e variada.

O que é o TDAH?

“O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é o transtorno do neurodesenvolvimento mais comum e se caracteriza por níveis bastante elevados de desatenção, hiperatividade e impulsividade, com um impacto enorme no funcionamento e na qualidade de vida dos pacientes”, esclarece a coordenadora do estudo. Ela também inclui entre os sintomas as disfunções na regulação emocional e as dificuldades de socialização.

Cerca de 7% das crianças e dos jovens portugueses são afetados pelo transtorno. Estima-se que metade deles continue com a condição na vida adulta, embora os sintomas se manifestem de maneira diferente.

Alimentos que compõem uma dieta equilibrada

“Essencialmente, seguir os parâmetros da dieta mediterrânea” é a recomendação da nutricionista pediátrica Sofia Pinto. Peixes gordurosos e azeite são excelentes fontes de gorduras saudáveis, enquanto o selênio pode ser encontrado em alimentos como ovos, cogumelos e sementes. A vitamina C está presente principalmente em frutas e vegetais. Frutas e hortaliças também são ricas em vitamina A, assim como laticínios, peixes e frango.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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