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Hadoque: o peixe magro com pouco mercúrio

Pessoa colocando peixe cozido em prato branco, com salada e temperos sobre bancada de cozinha.
Neste artigo
  1. Por que o hadoque interessa a quem cuida da saúde
  2. Peixe no lugar do bife: os efeitos para o coração
  3. Pouco mercúrio: por que o hadoque é considerado um “peixe seguro”
  4. Sabor suave, carne branca e sem “explosão de cheiro de peixe” na cozinha
  5. Hadoque versus bacalhau: qual se destaca?
  6. Quanto peixe faz sentido comer por semana
  7. Riscos que permanecem mesmo com um “peixe seguro”
  8. O que realmente significam termos como “peixe magro” e “boa escolha”

Quem pensa em peixe branco e magro logo lembra do bacalhau. Mas pouca gente sabe que um parente próximo é tão interessante quanto - e geralmente leva vantagem quando o assunto é mercúrio. Trata-se do hadoque, uma opção pouco chamativa na peixaria, mas com muito a oferecer do ponto de vista nutricional.

Por que o hadoque interessa a quem cuida da saúde

O hadoque é um dos peixes magros clássicos. Sua proteína é de fácil digestão e bem aproveitada pelo organismo, enquanto o teor de gordura fica, em média, bem abaixo de 1 grama a cada 100 gramas de filé. Por isso, encaixa-se muito bem em uma alimentação com controle calórico, seja para emagrecer ou simplesmente para tornar as refeições do dia a dia mais leves.

“O hadoque fornece muita proteína de alta qualidade, quase nenhuma gordura e, ainda assim, uma quantidade surpreendente de vitaminas e minerais.”

Entre os nutrientes mais relevantes para o corpo estão:

  • Vitamina B12: contribui para a formação do sangue e o funcionamento do sistema nervoso.
  • Vitamina B3 (niacina): importante para o metabolismo energético e a pele.
  • Selênio: reforça as defesas do organismo e dá suporte à tireoide.
  • Fósforo: tem papel central na manutenção de ossos e dentes fortes.

O selênio merece atenção especial, pois muitas pessoas na Europa Central consomem pouco desse mineral devido à baixa concentração nos solos da região. O hadoque pode ajudar a suprir essa deficiência de forma eficiente.

Peixe no lugar do bife: os efeitos para o coração

Ao escolher com mais frequência peixes magros e reduzir o consumo de carnes vermelhas, como bovina e suína, a composição de gorduras da dieta muda automaticamente. As carnes vermelhas fornecem muitas gorduras saturadas, que podem elevar o colesterol LDL. Já o hadoque tem pouca gordura e, dela, a maior parte é formada por gorduras insaturadas mais favoráveis.

Assim, o hadoque pode contribuir para melhorar o chamado perfil lipídico: menos gorduras desfavoráveis no sangue e uma relação mais equilibrada entre colesterol e triglicerídeos. No longo prazo, isso favorece a redução do risco de doenças cardiovasculares.

“Trocar um bife por hadoque faz mais pelo coração e pelos vasos sanguíneos do que muitos suplementos alimentares caros.”

Embora espécies mais gordurosas, como salmão e cavala, ofereçam quantidades bem maiores de ômega-3, o hadoque também tem seu espaço nesse aspecto. Ele contém menos dessas gorduras anti-inflamatórias, mas ainda em proporções relevantes. Elas podem ajudar a reduzir triglicerídeos, proteger os vasos sanguíneos e apoiar a saúde cardíaca.

Pouco mercúrio: por que o hadoque é considerado um “peixe seguro”

A preocupação com metais pesados, sobretudo o mercúrio, faz muitas pessoas evitarem peixe. Em algumas espécies, esse receio é justificado; no caso do hadoque, porém, é consideravelmente menor.

Há vários motivos para isso:

  • Vida mais curta: há menos tempo para que metais pesados se acumulem nos tecidos.
  • Sem posição de topo na cadeia alimentar: o hadoque se alimenta principalmente de pequenos animais que vivem no fundo do mar, e não de grandes peixes predadores.
  • Monitoramento frequente: órgãos internacionais avaliam limites de segurança e classificam repetidamente o hadoque como uma “boa escolha”.

Resultados de institutos de diferentes países, assim como as avaliações da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, colocam o hadoque de forma recorrente entre as espécies de peixe mais seguras. Por isso, ele aparece em muitas orientações para gestantes e crianças como um peixe que pode ser consumido regularmente sem grandes preocupações.

“O hadoque está entre as espécies de peixe com níveis muito baixos de mercúrio - uma vantagem clara para crianças, gestantes e mulheres que amamentam.”

Sabor suave, carne branca e sem “explosão de cheiro de peixe” na cozinha

Além dos valores nutricionais, para a maioria das pessoas o sabor é decisivo. Nesse ponto, o hadoque se destaca pela carne branca e delicada, com uma nota suave e levemente adocicada. O cheiro característico de peixe, que desagrada muita gente, costuma ser comparativamente discreto.

Os filés têm fibras finas e não se desfazem tão rapidamente durante o cozimento quanto alguns pedaços muito finos de bacalhau. Na frigideira ou no forno, a carne se mantém suculenta desde que não cozinhe por tempo demais.

Como usar o hadoque nas refeições do dia a dia

O hadoque é mais versátil do que sua aparência discreta na peixaria sugere. Algumas ideias para prepará-lo:

  • Cozido delicadamente: na panela a vapor ou em papel-alumínio no forno, com limão e ervas.
  • Na frigideira: dourado rapidamente no azeite, servido com legumes e batatas.
  • Em curry de peixe: com leite de coco, legumes em cubos, gengibre e um pouco de pimenta.
  • Para crianças: em palitos de peixe caseiros, empanados, mas sem mergulhá-los em óleo de fritura.
  • Em sopas: como ingrediente de uma sopa leve de peixe com legumes de raiz.

Por ter sabor brando, o hadoque é uma boa escolha para quem diz que “na verdade não gosta de peixe”. Ervas frescas, um pouco de suco de limão e um bom óleo bastam para criar rapidamente um prato que lembra mais uma cozinha leve do que uma peixaria.

Hadoque versus bacalhau: qual se destaca?

Do ponto de vista nutricional, hadoque e bacalhau estão no mesmo nível. Ambos pertencem à família dos gadídeos, são magros, ricos em proteína e têm relativamente poucas calorias.

Valor nutricional (por 100 g) Hadoque Bacalhau (Atlântico)
Calorias cerca de 75–85 kcal cerca de 75–85 kcal
Gordura menos de 1 g cerca de 1 g
Proteína alto teor alto teor
Selênio geralmente um pouco maior um pouco menor
Textura mais fina, filés menores mais grosseira, filés maiores

Os dois peixes podem ser considerados “primos nutricionais”. As diferenças estão mais nos detalhes: o hadoque costuma ser minimamente mais magro e se destaca pelo selênio e pelo potássio, enquanto muitas pessoas optam pelo bacalhau conhecido apenas por hábito.

“Quem gosta de bacalhau geralmente também vai gostar de hadoque - e ainda se beneficia de um pouco mais de selênio e de níveis muito baixos de mercúrio.”

O que observar na hora da compra

Ao comprar, vale conferir rapidamente a origem e o método de captura. O hadoque pescado de forma sustentável causa menor pressão sobre os estoques e ajuda a preservar o ecossistema marinho.

  • Procure selos de sustentabilidade reconhecidos, como o MSC.
  • Peixe fresco tem carne firme e odor neutro.
  • O hadoque congelado é uma boa alternativa quando o produto fresco é difícil de encontrar.

Quem consome peixe regularmente deve, de modo geral, alternar entre diferentes espécies. Dessa forma, chegam mais nutrientes variados ao prato e o risco individual de eventuais contaminantes fica mais distribuído.

Quanto peixe faz sentido comer por semana

Em geral, especialistas em nutrição recomendam uma ou duas refeições com peixe por semana. Peixes magros, como o hadoque, se encaixam bem nessa recomendação. Quando combinados a porções ocasionais de peixes gordurosos, formam uma base sólida para o coração, o cérebro e os vasos sanguíneos.

Uma abordagem prática para a semana poderia ser:

  • Um prato com peixe branco magro, como hadoque.
  • Um prato com peixe marinho gorduroso, como arenque ou salmão.

Acrescente muitos legumes, acompanhamentos ricos em fibras, como arroz integral ou batatas com casca, e óleos vegetais de boa qualidade. Assim, forma-se uma combinação equilibrada e favorável ao coração.

Riscos que permanecem mesmo com um “peixe seguro”

Apesar da baixa carga de mercúrio, o peixe continua sendo um alimento de origem animal e perecível. O armazenamento inadequado pode causar intoxicações alimentares. Por isso, deve ser mantido bem refrigerado, preparado rapidamente e cozido por completo quando gestantes ou crianças pequenas forem consumi-lo.

Reações alérgicas são outro ponto a considerar. Quem reage a determinadas espécies de peixe deve testar novas opções inicialmente em pequenas quantidades e, na dúvida, buscar orientação médica. Alergias ao hadoque também são possíveis, embora ocorram com bem menos frequência do que reações a crustáceos.

O que realmente significam termos como “peixe magro” e “boa escolha”

A expressão peixe magro se refere a espécies com teor de gordura especialmente baixo. Além do hadoque, incluem-se nessa categoria o bacalhau, o escamudo (pollock) e a solha. Esses peixes fornecem bastante proteína sem pesar muito no total de calorias da dieta.

Quando autoridades e institutos classificam o hadoque como uma “boa escolha”, normalmente consideram três aspectos:

  • baixos níveis de metais pesados;
  • boa densidade nutricional;
  • impacto ambiental relativamente baixo quando a pesca é sustentável.

Assim, quem encontrar o discreto peixe branco chamado hadoque no supermercado ou na peixaria pode comprá-lo com confiança - especialmente se a origem e o método de captura forem adequados. Para quem gosta de peixe, mas tem receio do mercúrio, ele é uma das opções mais interessantes na seção refrigerada.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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