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Jejum intermitente afeta o desempenho cognitivo? O que os dados mostram

Homem sentando à mesa, mostrando cadernos com desenhos e calendário colorido em tablet.
Neste artigo
  1. Por que jejuar, afinal?
  2. O que os dados sobre jejum e desempenho cognitivo revelaram
  3. Quando o jejum faz diferença
  4. O que isso significa para você

Você já se preocupou que pular o café da manhã pudesse deixá-lo com a mente lenta no trabalho? Ou imaginou que o jejum intermitente o tornaria irritável, disperso e menos produtivo?

Anúncios de salgadinhos nos alertam que “você não é você quando está com fome”, reforçando a crença disseminada de que comer é indispensável para manter o cérebro afiado.

Essa ideia está profundamente enraizada na nossa cultura. Ouvimos que abastecer o corpo o tempo todo é o segredo para permanecer alerta e eficiente.

Mesmo assim, a alimentação com restrição de horário e o jejum intermitente se tornaram práticas de bem-estar extremamente populares na última década. Milhões de pessoas adotam esses métodos em busca de benefícios duradouros, que vão do controle do peso à melhora da saúde metabólica.

Isso levanta uma questão importante: é possível obter os ganhos à saúde do jejum sem perder desempenho mental? Para responder a isso, realizamos a revisão mais abrangente até agora sobre os efeitos do jejum no desempenho cognitivo.

Por que jejuar, afinal?

O jejum não é apenas uma estratégia alimentar da moda. Ele se apoia em um sistema biológico aperfeiçoado durante milênios para ajudar os seres humanos a lidar com períodos de escassez.

Quando nos alimentamos com regularidade, o cérebro usa principalmente glicose, que fica armazenada no organismo na forma de glicogênio. Porém, após cerca de 12 horas sem comer, essas reservas de glicogênio começam a diminuir.

Nesse momento, o corpo faz uma inteligente mudança metabólica: passa a decompor gordura em corpos cetônicos - como o acetoacetato e o beta-hidroxibutirato -, que funcionam como uma fonte alternativa de energia.

Essa flexibilidade metabólica, antes essencial à sobrevivência de nossos ancestrais, hoje vem sendo associada a diversos benefícios para a saúde.

Alguns dos efeitos mais promissores do jejum decorrem de como ele reorganiza processos internos do organismo. Por exemplo, o jejum ativa a autofagia, uma espécie de “equipe de limpeza” celular que remove componentes danificados e os recicla - processo que se acredita contribuir para um envelhecimento mais saudável.

Ele também aumenta a sensibilidade à insulina, permitindo que o corpo controle a glicose no sangue com mais eficiência e reduzindo o risco de problemas como o diabetes tipo 2.

Além disso, as alterações metabólicas provocadas pelo jejum parecem oferecer proteção mais ampla, ajudando a diminuir a probabilidade de doenças crônicas frequentemente ligadas à alimentação excessiva.

O que os dados sobre jejum e desempenho cognitivo revelaram

Esses benefícios fisiológicos tornam o jejum atraente. Ainda assim, muitas pessoas evitam adotá-lo por receio de que seu desempenho mental despenque sem uma ingestão constante de alimentos.

Para investigar essa preocupação, conduzimos uma meta-análise, um “estudo de estudos”, examinando toda a pesquisa experimental disponível que comparava o desempenho cognitivo de pessoas em jejum com o de pessoas alimentadas.

Nossa busca encontrou 63 artigos científicos, que representavam 71 estudos independentes, reunindo uma amostra total de 3.484 participantes avaliados em 222 medidas diferentes de cognição. As pesquisas abrangeram quase sete décadas, de 1958 a 2025.

Depois de combinar os dados, a conclusão foi inequívoca: não houve diferença relevante no desempenho cognitivo entre adultos saudáveis em jejum e saciados.

Em testes de atenção, memória e função executiva, as pessoas tiveram desempenho equivalente, independentemente de terem se alimentado recentemente ou não.

Quando o jejum faz diferença

Nossa análise, no entanto, identificou três fatores importantes que podem modificar a maneira como o jejum afeta a mente.

O primeiro deles é a idade. Entre adultos, o jejum não causou queda mensurável no desempenho mental. Já crianças e adolescentes foram pior nos testes quando deixaram de fazer refeições.

Os cérebros em desenvolvimento parecem ser mais sensíveis às oscilações no fornecimento de energia. Isso reforça uma recomendação antiga: crianças devem ir à escola após um café da manhã adequado, para favorecer a aprendizagem.

O horário também parece influenciar. Observamos que jejuns mais longos estavam ligados a uma diferença menor de desempenho entre os estados de jejum e de alimentação. Uma possível explicação é a transição metabólica para os corpos cetônicos, que podem restabelecer um fornecimento estável de energia ao cérebro à medida que a glicose se esgota.

Pessoas em jejum tendiam a ter desempenho pior quando os testes eram aplicados mais tarde no dia, o que sugere que o jejum pode intensificar as quedas naturais dos ritmos circadianos.

O tipo de teste foi outro aspecto relevante. Em tarefas cognitivas que usavam símbolos ou formas neutras, os participantes em jejum tiveram resultados igualmente bons ou, em alguns casos, até um pouco melhores.

Porém, quando as tarefas traziam estímulos relacionados a alimentos, os participantes em jejum tiveram pior desempenho. A fome não produz uma névoa mental generalizada, mas torna mais fácil se distrair quando a comida está em nossos pensamentos.

O que isso significa para você

Para a maioria dos adultos saudáveis, os resultados são tranquilizadores: é possível experimentar o jejum intermitente ou outros protocolos de jejum sem receio de perder a acuidade mental.

Ainda assim, o jejum não é uma prática igual para todos. Crianças e adolescentes exigem cautela, pois seus cérebros ainda estão em desenvolvimento e eles parecem precisar de refeições regulares para ter o melhor desempenho.

Da mesma forma, se seu trabalho exige atenção máxima no fim do dia ou se você se depara frequentemente com estímulos alimentares tentadores, talvez seja mais difícil manter o jejum.

Naturalmente, para determinados grupos - como pessoas com condições médicas ou necessidades alimentares especiais -, jejuar pode não ser recomendado sem orientação profissional.

Em última análise, o jejum deve ser encarado como uma ferramenta individual, e não como uma prescrição universal. Seus benefícios e desafios variam de uma pessoa para outra.

David Moreau, professor associado de Psicologia, Universidade de Auckland, Waipapa Taumata Rau

Este artigo é republicado do The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

Uma versão anterior deste artigo foi publicada em novembro de 2025.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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