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Calor e seca ameaçam a produção de mexilhões nas costas francesas

Homem com roupa impermeável amarela colhendo mexilhões em fazenda marinha durante maré baixa.
Neste artigo
  1. Produção de mexilhões nas costas francesas
  2. Ondas de calor e seca
  3. Acidificação dos oceanos
  4. Predadores e futuro da mitilicultura

O diagnóstico é preocupante: com o aumento das temperaturas e a seca, os mexilhões já não conseguem crescer nas costas francesas. As perdas se acumulam, enquanto as perspectivas para o setor ficam cada vez mais sombrias.

Produção de mexilhões nas costas francesas

A temporada de colheita começou com um cenário difícil para a mitilicultura no litoral da França. Os produtores registram uma queda acentuada no volume aproveitável, pois os mexilhões marinhos estão pequenos demais. Segundo Philippe Le Gal, presidente do Comitê Nacional de Conquicultura, as perdas são estimadas em cerca de um quarto da produção de verão. É um golpe para uma atividade que costuma produzir entre 49.000 e 66.000 toneladas de mexilhões por ano.

Gilles Foucher, mitilicultor de Pénestin, no departamento de Morbihan, observa o problema em suas próprias criações na baía de Pont-Mahé. Em uma estaca com cerca de 30 quilos de mexilhões, aproximadamente 10 quilos precisam ser descartados por não atingirem o tamanho mínimo exigido para a venda.

Na baía de Saint-Brieuc, na Bretanha, o mitilicultor Guillaume Hurtaud relata perdas dramáticas, de 60 a 75% de sua produção. A redução no tamanho dos animais faz parte de uma tendência observada há cerca de 5 anos, cujas causas são conhecidas.

Ondas de calor e seca

Para se alimentar, os mexilhões filtram a água do mar e capturam o fitoplâncton. O crescimento dessas microalgas depende, porém, dos sais nutritivos transportados da terra pelas chuvas e pelos rios. Durante a seca, como ocorreu ao longo de todo o verão, a vazão de água doce cai drasticamente, diminuindo a oferta de alimento.

Há ainda outro problema: esses moluscos não conseguem regular a própria temperatura interna. Quando as ondas de calor aquecem o mar, seu metabolismo acelera e precisa gastar mais energia apenas para manter as funções vitais básicas.

Sem nutrientes suficientes justamente quando suas necessidades calóricas disparam, o mexilhão gasta mais energia do que consome. Com isso, não consegue acumular os recursos necessários para crescer.

Acidificação dos oceanos

A poluição também agrava a situação. Os oceanos absorvem uma parcela importante do dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera, dando origem à acidificação das águas. Esse fenômeno reduz a disponibilidade de minerais essenciais para que o mexilhão forme e fortaleça sua concha. Assim, o animal precisa fazer um esforço extra para manter essa proteção vital, prejudicando seu ganho de massa.

Predadores e futuro da mitilicultura

Todo o ecossistema costeiro é afetado. Em algumas áreas de criação, predadores como o caranguejo-aranha aproveitam a elevação das temperaturas para atacar os bancos enfraquecidos de mexilhões.

Diante desse quadro, o setor de mitilicultura faz um alerta: sem o retorno de condições ambientais mais estáveis, sua rentabilidade continua seriamente comprometida.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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