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HSL revela nova função na manutenção da gordura saudável

Cientista mulher analisando micro-organismos em holograma 3D em laboratório moderno cientifico.
Neste artigo
  1. Células de gordura e enzimas HSL
  2. A gordura é ativa
  3. HSL não é apenas uma enzima que queima gordura
  4. Quando a gordura desaparece
  5. As enzimas HSL têm outra função
  6. Sinais deslocam a HSL
  7. Os genes sentem as mudanças
  8. A obesidade aumenta a pressão
  9. Um alerta para tratamentos
  10. Um alvo mais cuidadoso

Pesquisadores descobriram que uma enzima que queima gordura também contribui para preservar a gordura corporal saudável, derrubando a visão antiga de que ela seria apenas um interruptor de liberação de combustível.

A descoberta ajuda a entender por que a perda dessa enzima pode reduzir o tecido adiposo e provocar problemas metabólicos semelhantes aos observados na obesidade.

Células de gordura e enzimas HSL

Em células de gordura de camundongos e humanos, a enzima foi identificada não só perto da gordura armazenada, mas também na região em que os genes são regulados.

Ao rastrear esse sinal, Dominique Langin, Ph.D., da Université de Toulouse, no sudoeste da França, demonstrou que a lipase hormônio-sensível (HSL) desempenha duas funções distintas.

Essa segunda função esclarece por que a ausência da enzima não manteve a gordura presa nas células, como os cientistas poderiam esperar.

O resultado indica um problema mais profundo dentro das células adiposas: o armazenamento depende da saúde celular, e não somente do combustível já acumulado.

A gordura é ativa

O tecido adiposo saudável - principal tecido de armazenamento de gordura do corpo - guarda combustível, libera hormônios e auxilia na regulação da química sanguínea. Seus principais tipos celulares, os adipócitos, acondicionam o excesso de energia em pequenas gotículas no interior de cada célula.

Nos intervalos entre as refeições, os hormônios sinalizam para que essas gotículas liberem ácidos graxos, pequenas moléculas de combustível provenientes da gordura, para os músculos e o fígado.

Um armazenamento seguro depende de células adiposas funcionais, e não apenas do volume das reservas de gordura de uma pessoa.

HSL não é apenas uma enzima que queima gordura

“A HSL é conhecida desde os anos 1960 como uma enzima mobilizadora de gordura”, afirmou Langin.

Essa explicação previa um desfecho simples: sem HSL, a gordura deveria se acumular, pois as células não conseguiriam esvaziar suas reservas.

Porém, observações anteriores em camundongos e humanos revelaram lipodistrofia - quantidade insuficiente de tecido adiposo funcional - quando a HSL estava ausente ou danificada.

Os pesquisadores relacionaram essa contradição ao núcleo, a parte da célula que controla a atividade dos genes.

Quando a gordura desaparece

A lipodistrofia parece ser o oposto da obesidade, pois o corpo tem pouco tecido adiposo, e não tecido em excesso.

Nas duas condições, as células de gordura podem falhar em armazenar e liberar energia de forma adequada, permitindo o acúmulo de açúcar e ácidos graxos no sangue.

Com pouca gordura funcional, as pessoas podem desenvolver resistência à insulina - resposta deficiente ao hormônio que remove o açúcar do sangue - e os problemas de glicemia decorrentes disso.

Esse dano em comum explica por que uma enzima associada à perda de gordura ainda pode ser importante para as pesquisas sobre obesidade.

As enzimas HSL têm outra função

A mudança decisiva ocorreu quando a HSL foi observada dentro do núcleo dos adipócitos, onde a atividade genética modifica o comportamento celular.

Nesse local, a HSL se associou a outras proteínas e ajudou a sustentar o programa que mantém o tecido adiposo em um tamanho saudável.

“Mas agora sabemos que ela também desempenha um papel essencial no núcleo dos adipócitos, onde ajuda a manter o tecido adiposo saudável”, disse Langin.

Essa atividade transforma a enzima de uma simples queimadora de gordura em uma reguladora da identidade das células adiposas.

Sinais deslocam a HSL

A HSL se deslocava porque a célula utilizava sinais hormonais para enviar a proteína de uma função para outra.

Durante o jejum, a adrenalina contribuía para ativar a HSL e retirá-la do núcleo.

Fora do núcleo, a enzima voltava para perto das gotículas de gordura, onde auxiliava na liberação do combustível armazenado para os órgãos.

A alimentação rica em gordura em camundongos alterou esse equilíbrio, deixando mais HSL dentro do núcleo e sugerindo que a doença pode modificar seu deslocamento.

Os genes sentem as mudanças

No núcleo, a enzima influenciou genes ligados às mitocôndrias - partes das células que produzem energia utilizável - e à estrutura ao redor das células adiposas.

Quando os pesquisadores reduziram a HSL em adipócitos humanos, as mitocôndrias se tornaram mais ativas.

As mesmas células diminuíram sinais relacionados à matriz extracelular, o material de sustentação que as envolve enquanto o tecido se expande.

Juntos, esses efeitos sugerem que a HSL nuclear equilibra a queima de combustível com a manutenção física do tecido adiposo.

A obesidade aumenta a pressão

A descoberta surge em um momento em que os casos de obesidade já pressionam clínicas, famílias e orçamentos. No mundo, cerca de 2,5 bilhões de adultos estavam acima do peso em 2022, incluindo mais de 890 milhões vivendo com obesidade.

Na França, 47,3 por cento dos adultos apresentavam excesso de peso no Obepi-Roche, uma pesquisa nacional sobre tendências de peso em adultos. Isso equivale a quase um em cada dois adultos.

Esses números fazem da saúde das células adiposas algo maior que um enigma, pois o armazenamento inadequado pode agravar o diabetes e as doenças cardíacas ao longo do tempo.

Um alerta para tratamentos

A descoberta não significa que médicos devam simplesmente aumentar ou reduzir a HSL no tecido adiposo.

Experimentos em camundongos mostraram que a HSL nuclear preservada protegia a massa de gordura, mas o excesso de HSL nuclear piorava o controle da glicemia.

Estudos em humanos ainda precisam demonstrar se os mesmos padrões nucleares aparecem nas diferentes formas e estágios da obesidade nas pessoas.

Terapias futuras teriam de ajustar cuidadosamente a localização e a quantidade, em vez de apenas ligar ou desligar a enzima.

Um alvo mais cuidadoso

A HSL agora parece menos uma ferramenta de queima de gordura e mais uma reguladora móvel, capaz de ajudar as células adiposas a armazenar, liberar, reparar ou utilizar combustível.

As pesquisas sobre obesidade podem usar esse conhecimento para fazer perguntas mais precisas sobre a qualidade celular, enquanto os tratamentos devem respeitar o equilíbrio delicado da enzima dentro do tecido vivo.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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