A primavera e o verão quentes e secos diminuíram o potencial de produção, mas as uvas conservaram condições para gerar vinhos de alta qualidade.
O calor adiantou o ciclo dos vinhedos do Douro em 2026. A colheita começou mais cedo, as uvas amadureceram rapidamente e a produção da região deve ficar abaixo de 243 mil pipas de mosto. Isso ocorreu mesmo após um inverno muito chuvoso, que deixou reservas de água suficientes para sustentar as videiras durante boa parte do ciclo.
Calor e seca anteciparam a colheita no Douro
Divulgado nesta quinta-feira pela Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), o balanço final do ano vitícola informa que a colheita nas parcelas de referência começou em 18 de agosto e terminou em 16 de setembro, cerca de oito dias antes da média dos últimos 12 anos.
As temperaturas explicam boa parte desse avanço. Após um inverno quente e muito úmido, o volume de chuva caiu acentuadamente a partir de março. A primavera e o verão tiveram temperaturas acima do normal, pouca precipitação e vários episódios de calor intenso. Em setembro, o déficit de chuva atingiu 89,5% no Baixo Corgo, 74,2% no Cima Corgo e 81,8% no Douro Superior.
Mesmo com a secura dos últimos meses, a água acumulada no solo durante o inverno impediu que a falta de água se tornasse um problema ao longo da maior parte do desenvolvimento dos vinhedos. O quadro piorou no verão, principalmente em julho e agosto, mas 2026 ainda ficou distante de anos especialmente secos, como 2005, 2017 e 2022.
Produção e produtividade dos vinhedos
A produção sentiu os efeitos do clima. Pelo método polínico, a ADVID havia calculado um potencial de 243 mil a 272 mil pipas. Diante do calor, do tempo seco, de episódios de queimadura pelo sol e da desidratação intensa na fase final, a associação manteve a previsão de que a colheita ficará abaixo do limite mínimo dessa faixa.
Já os dados das parcelas do Observatório Vitícola apresentam um quadro menos negativo. A produtividade média alcançou 1,76 quilo por videira, praticamente igual à média histórica de 1,74 quilo e 34% superior ao resultado de 2025. O maior peso médio dos cachos compensou em parte a queda no número de cachos por videira.
A incidência das principais doenças também foi baixa. O míldio teve pouca expressão, enquanto o oídio exigiu maior vigilância em algumas parcelas. A podridão negra apareceu apenas de maneira localizada e não causou impacto significativo na produção.
Efeitos do calor nos vinhos
Na vinícola, os efeitos do calor registrado nos vinhedos são evidentes. De modo geral, a ADVID observou valores mais altos de álcool provável e pH, além de redução da acidez total. Entre as variedades analisadas, a acidez caiu cerca de 19% na Touriga Franca e 22% na Touriga Nacional em relação ao histórico.
A associação conclui que, mesmo com as temperaturas persistentemente elevadas e a forte desidratação ao fim do ciclo, 2026 deve apresentar produtividade média ou um pouco abaixo da média, mas com "potencial para a produção de vinhos de alta qualidade".






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