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Como alimentos ultraprocessados podem afetar a fertilidade e o desenvolvimento embrionário

Casal jovem na cozinha segurando uma tigela de frutas e legumes frescos.
Neste artigo
  1. O que são alimentos ultraprocessados?
  2. Por que as primeiras fases da vida importam
  3. Efeitos da alimentação sobre a fertilidade
  4. Alimentação e crescimento do embrião
  5. Alimentação das mulheres e crescimento embrionário
  6. Alimentação dos homens e fertilidade
  7. A importância do crescimento embrionário e do saco vitelino
  8. Como os alimentos ultraprocessados podem causar danos
  9. Um novo olhar sobre alimentação e fertilidade
  10. O que isso significa no dia a dia

Uma nova pesquisa indica que uma alimentação rica em ultraprocessados pode afetar não apenas a saúde geral, mas também a fertilidade e as primeiras etapas do desenvolvimento de um bebê.

As escolhas alimentares feitas diariamente podem influenciar o futuro de maneiras que nem sempre são evidentes.

O que são alimentos ultraprocessados?

Alimentos ultraprocessados são produtos submetidos a intenso processamento industrial. Entre eles estão salgadinhos, petiscos embalados, bebidas açucaradas, refeições congeladas e macarrão instantâneo.

Eles costumam conter açúcar e sal adicionados, gorduras prejudiciais à saúde e substâncias químicas, ao mesmo tempo que têm poucos nutrientes importantes, como fibras e vitaminas.

Atualmente, os ultraprocessados compõem uma parcela considerável da alimentação moderna. Em alguns países, esses produtos representam até metade dos alimentos consumidos diariamente.

A praticidade e a rapidez no preparo ajudam a explicar sua popularidade, mas os efeitos desses alimentos sobre a saúde despertam preocupação crescente.

Por que as primeiras fases da vida importam

O período próximo à concepção e ao início da gravidez é fundamental para o desenvolvimento humano. Os cientistas costumam incluí-lo nos chamados “primeiros 1000 dias”, que exercem forte influência sobre o crescimento e a saúde futura.

Nessa fase, o embrião cresce rapidamente, e até pequenas alterações podem produzir efeitos duradouros. Uma estrutura pequena chamada saco vitelino fornece nutrientes ao embrião no começo da gestação, antes de a placenta assumir essa função.

Alterações nesse estágio podem repercutir na saúde do bebê mais tarde.

Efeitos da alimentação sobre a fertilidade

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Erasmus, em Roterdã, investigaram como os alimentos ultraprocessados afetam a fertilidade e o desenvolvimento inicial do embrião.

A equipe acompanhou 831 mulheres e 651 homens no âmbito do Programa de Estudo Geração R Próxima.

Os casais foram observados desde antes da gravidez e durante seu início. Os pesquisadores avaliaram a influência da alimentação no tempo necessário para conceber e no desenvolvimento dos embriões nas primeiras semanas.

“Embora os ultraprocessados sejam tão comuns em nossa alimentação, sabemos muito pouco sobre sua possível relação com os resultados de fertilidade e com o desenvolvimento humano inicial”, explicou a médica Romy Gaillard, responsável pelo estudo.

Alimentação e crescimento do embrião

Os participantes responderam a questionários alimentares detalhados, com mais de 200 itens.

Para agrupar os alimentos, os cientistas utilizaram a classificação NOVA, que distingue os ultraprocessados daqueles naturais ou minimamente processados.

Os médicos também realizaram ultrassonografias com sete, nove e onze semanas de gravidez. Os exames mediram o tamanho do embrião e o volume do saco vitelino, que tem uma função importante no crescimento inicial.

Em média, os ultraprocessados correspondiam a cerca de 22% da alimentação das mulheres e a 25% da dos homens.

Alimentação das mulheres e crescimento embrionário

O estudo não encontrou um efeito claro dos ultraprocessados sobre o tempo que as mulheres levavam para engravidar. Ainda assim, identificou uma relação com o desenvolvimento inicial.

“Observamos que o consumo de ultraprocessados pelas mulheres não apresentou uma relação consistente com o risco de subfertilidade e com o tempo até a gravidez, mas esteve associado a um crescimento embrionário e a um tamanho do saco vitelino ligeiramente menores na sétima semana de gestação”, afirmou Celine Lin, coautora do estudo.

“As diferenças no desenvolvimento humano inicial foram pequenas, mas são importantes do ponto de vista da pesquisa e em nível populacional, pois demonstramos pela primeira vez que o consumo de ultraprocessados não é importante apenas para a saúde da mãe, mas também pode estar relacionado ao desenvolvimento dos filhos.”

O resultado indica que a alimentação materna pode afetar diretamente o embrião desde a fase mais inicial.

Alimentação dos homens e fertilidade

Entre os homens, os resultados foram diferentes: um consumo maior de alimentos ultraprocessados esteve associado a uma fertilidade menor.

Aqueles que ingeriam mais ultraprocessados levaram mais tempo para conseguir uma gravidez com a parceira e apresentaram maior risco de problemas de fertilidade.

Uma possível explicação é a sensibilidade dos espermatozoides à alimentação. Uma nutrição inadequada pode prejudicar sua qualidade e dificultar a concepção.

A importância do crescimento embrionário e do saco vitelino

O crescimento do embrião nas primeiras semanas é um importante indicador da saúde futura. Um crescimento mais lento no primeiro trimestre já foi associado ao parto prematuro e ao baixo peso ao nascer.

O saco vitelino também é essencial por fornecer nutrientes ao embrião no início da gestação. Problemas em seu desenvolvimento podem elevar o risco de aborto espontâneo ou parto prematuro.

Mesmo diferenças pequenas no desenvolvimento inicial podem ganhar importância quando analisadas em grandes populações.

Como os alimentos ultraprocessados podem causar danos

Os pesquisadores acreditam que os ultraprocessados podem afetar a fertilidade e o desenvolvimento de diversas formas. Esses produtos frequentemente carecem de nutrientes importantes para a saúde dos espermatozoides e o crescimento do embrião. Uma alimentação inadequada também pode aumentar o estresse oxidativo, que danifica as células.

Além disso, os ultraprocessados podem conter substâncias químicas provenientes das embalagens, como ftalatos e bisfenóis, capazes de afetar os hormônios.

Nas gestantes, uma baixa ingestão de nutrientes pode interferir no crescimento embrionário, sobretudo nas primeiras fases, quando o saco vitelino é muito importante.

Um novo olhar sobre alimentação e fertilidade

“Nossos resultados sugerem que uma alimentação com poucos ultraprocessados seria melhor para ambos os parceiros, não apenas para a própria saúde, mas também para suas chances de gravidez e para a saúde do bebê ainda não nascido”, disse a médica Gaillard.

“Nosso estudo mostra pela primeira vez que o consumo de ultraprocessados por homens e mulheres está associado a resultados de fertilidade e ao desenvolvimento humano inicial, mas também apresenta limitações”, acrescentou.

“É importante destacar que, por se tratar de um estudo observacional, nossa pesquisa mostra associações, mas não pode comprovar efeitos causais diretos do consumo de ultraprocessados sobre esses resultados nas primeiras fases da vida.”

A pesquisa ressalta uma ideia importante: a fertilidade não diz respeito apenas à saúde da mulher. Ambos os parceiros têm um papel nesse processo.

O que isso significa no dia a dia

O estudo transmite uma mensagem clara: as escolhas alimentares antes e durante a gravidez são importantes. Mesmo pequenas reduções no consumo de ultraprocessados podem melhorar a fertilidade e favorecer o desenvolvimento inicial.

Hábitos alimentares saudáveis podem beneficiar ambos os pais e proporcionar um começo melhor ao embrião. Optar por alimentos frescos e menos processados pode ser uma medida simples para uma geração futura mais saudável.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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