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Uma refeição rica em gordura pode prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral

Homem jovem escolhe hambúrguer em vez de salada e salmão, com imagem de cérebro colorido em tablet na mesa.
Neste artigo
  1. Qual pode ser o papel da alimentação?
  2. Refeição rica em gordura saturada e fluxo sanguíneo cerebral
  3. Aspectos que ainda precisam ser investigados

Uma refeição de delivery gordurosa pode parecer uma indulgência inofensiva para a noite de sexta-feira. No entanto, nossa pesquisa recente indica que até mesmo uma única refeição rica em gordura pode prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral, aumentando potencialmente o risco de AVC e demência.

A gordura alimentar é uma parte importante da nossa alimentação. Ela oferece uma fonte concentrada de energia, transporta vitaminas e, quando é armazenada pelo organismo, protege os órgãos e ajuda a manter o corpo aquecido.

Os dois principais tipos de gordura que consumimos são as saturadas e as insaturadas - monoinsaturadas e poli-insaturadas -, diferenciadas pela composição química.

Contudo, esses tipos de gordura afetam o organismo de maneiras distintas.

Por exemplo, já está bem estabelecido que uma refeição rica em gordura saturada, como uma pizza de delivery consumida sem muita preocupação na sexta-feira à noite, pode prejudicar os vasos sanguíneos e a saúde do coração. E os efeitos não se limitam ao coração.

O cérebro dispõe de reservas de energia limitadas. Por isso, depende fortemente de um suprimento contínuo de sangue que leve oxigênio e glicose para manter suas funções normais.

Uma das formas pelas quais o corpo preserva esse abastecimento é um mecanismo chamado de "autorregulação dinâmica cerebral".

Esse processo mantém estável o fluxo de sangue para o cérebro, apesar das variações cotidianas da pressão arterial, como as que ocorrem ao se levantar ou praticar exercícios. É como contar com amortecedores que ajudam o cérebro a se manter equilibrado sob pressão.

Quando esse mecanismo é prejudicado, porém, torna-se mais difícil lidar com as oscilações da pressão arterial. Como resultado, podem ocorrer breves períodos em que chega sangue demais ou de menos ao cérebro.

Com o passar do tempo, isso eleva o risco de condições como AVC e demência.

Qual pode ser o papel da alimentação?

Depois de uma refeição com alto teor de gordura saturada, as taxas de gordura no sangue aumentam e atingem o pico após cerca de quatro horas. Ao mesmo tempo, os vasos sanguíneos ficam mais rígidos e perdem parte da capacidade de relaxar e se expandir, o que restringe a circulação pelo corpo.

Mas ainda se sabe pouco sobre o que acontece no cérebro nesse intervalo e sobre quão bem seu suprimento sanguíneo é protegido.

Para investigar isso pela primeira vez, recrutamos 20 homens jovens entre 18 e 35 anos e 21 homens entre 60 e 80 anos. Medimos o funcionamento dos vasos sanguíneos associados à saúde do coração e do cérebro antes e quatro horas após o consumo de uma refeição rica em gordura saturada.

Avaliamos a capacidade de um vaso sanguíneo do braço de se dilatar em resposta ao aumento do fluxo de sangue, como indicador da saúde cardíaca. Esse método é conhecido como "dilatação mediada por fluxo".

Para analisar como os vasos do cérebro lidavam com oscilações da pressão arterial, os participantes realizaram agachamentos usando o peso do próprio corpo. Utilizamos ultrassom para verificar o fluxo sanguíneo nos vasos durante os dois procedimentos.

A refeição de teste foi um milk-shake que chamamos de "bomba cerebral", pois era composto principalmente por creme de leite fresco. A bebida continha 1.362 calorias e 130g de gordura, reproduzindo a carga de gordura de uma refeição de fast-food.

Refeição rica em gordura saturada e fluxo sanguíneo cerebral

Nossos resultados confirmaram pesquisas anteriores que mostram que uma refeição rica em gordura prejudica, tanto em participantes jovens quanto nos mais velhos, a capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos ligados à saúde cardíaca. Essas alterações diminuíram a habilidade do cérebro de amortecer mudanças na pressão arterial.

O efeito foi mais acentuado - em cerca de 10% - nos adultos mais velhos, o que sugere que cérebros mais envelhecidos podem ser mais vulneráveis aos efeitos dessa refeição.

Embora este estudo não tenha testado diretamente as consequências de longo prazo de uma refeição rica em gordura sobre o funcionamento mental, já demonstramos anteriormente que esse tipo de refeição aumenta os radicais livres - moléculas instáveis que danificam as células - e reduz o óxido nítrico, moléculas que ajudam os vasos sanguíneos a relaxar e se abrir para transportar oxigênio e glicose pelo organismo.

Isso pode explicar a redução na regulação do fluxo sanguíneo que observamos em nosso estudo recente.

As implicações clínicas são importantes. Ainda que um delivery ocasional provavelmente não cause danos por si só, nossos resultados indicam que até uma única refeição gordurosa tem um efeito imediato no organismo.

Nosso estudo reforça a importância de adotar uma alimentação com baixo teor de gordura saturada para proteger não apenas a saúde do coração, mas também a saúde cerebral. Isso é particularmente relevante para adultos mais velhos, cujos cérebros parecem ser mais suscetíveis aos efeitos de uma refeição desse tipo e que já enfrentam maior risco de AVC e doenças neurodegenerativas.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) recomenda que homens consumam no máximo 30g de gordura saturada por dia, enquanto para mulheres o limite é de 20g. Ainda assim, muitas pessoas ultrapassam rotineiramente essa quantidade, sobretudo em deliveries de fim de semana, almoços em pubs ou exageros com fast-food.

Além disso, podemos passar grande parte do tempo em que estamos acordados em um estado posterior às refeições. Esse período, conhecido como "lipemia pós-prandial", é marcado por níveis elevados de gordura e, ao que parece, é quando o organismo pode estar mais vulnerável.

Aspectos que ainda precisam ser investigados

Ainda há muito a aprender sobre esse tema.

As orientações de saúde pública recomendam substituir as gorduras saturadas pelas poli-insaturadas. Elas estão presentes em alimentos como peixes gordurosos, nozes e sementes, associados, no longo prazo, a uma saúde melhor para o coração e o cérebro.

Porém, ainda não sabemos como o cérebro reage a uma única refeição com alto teor de gordura poli-insaturada.

Também desconhecemos como o cérebro feminino responde a uma refeição rica em gordura. Essa lacuna é crucial, pois as mulheres enfrentam maior risco de AVC e demência na velhice do que os homens.

Nosso estudo serve como um lembrete oportuno de que a alimentação não molda apenas a saúde no longo prazo. Ela também afeta o corpo e o cérebro em tempo real. E, como estamos aprendendo, cada refeição pode importar quando se trata de proteger a saúde cerebral.

Chris Marley, professor sênior de Fisiologia do Exercício, Universidade do Sul de Gales, e Damian Bailey, professor de Fisiologia e Bioquímica, Universidade do Sul de Gales

Este artigo foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Mariana Ferreira Alves

Nutricionista e consultora gastronômica especializada em alimentação prática, lanches equilibrados e empreendedorismo no setor de food service. No lilianlanches.com, compartilha conteúdos sobre receitas, tendências de lanches, qualidade dos ingredientes e estratégias para tornar cada refeição mais saborosa e acessível.

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